segunda-feira, 21 de abril de 2014

FIGURINHA CARIMBADA

Colecionar figurinhas da Copa do mundo virou mania e eu embarquei nessa.

Não colecionava figurinhas de futebol desde o campeonato brasileiro de 96. Os da copa do mundo nunca me chamaram atenção, nunca me empolgaram. O mais próximo disso foi comprar alguns pacotes de figurinhas para meu irmão mais novo na copa da Alemanha 2006. 
Foi por impulso. Vi no mercado um pacote promocional, R$12 por 72 figurinhas.Comprei. Passei na banca e peguei o álbum. Pronto, estava na mania. Após colar as figurinhas, já bateu a fissura de ter mais... Alguns pacotinhos e muitas repetidas depois me vi num dilema: como lidar com as figurinhas a mais? Até tentei viciar uns colegas no escritório, porém sem sucesso. Um amigo de longa data, Expedito Paz, me recomendou a trocar com a molecada. Vi em noticias que a criançada se reunia perto das bancas de revista, mas no começo nem me animei. Ao saber que na frente da livraria, na praça de alimentação do shopping perto de casa era um dos pontos de escambo das figurinhas, comecei a amadurecer a idéia.  Convenci a Clara a me acompanhar, e munido de minhas repetidas fui para o shopping.
Ao chegar a praça de alimentação, já de cara encontrei um casal com filhos em busca dos cromos faltantes. Depois de quebrar o gelo, negociei o primeiro lote. Em seguida outro rapaz apareceu e começamos a trocar. Clara ficou empolgada, mas por alguma razão estranha, voltou da livraria com um outro álbum, um sobre a historia do Brasil nas copas. Ficou toda alegre começando a colar as figurinhas nesse álbum. As crianças chegavam todas alegres a nossa mesa para trocar e ao ver que o que a Clara comprou ficavam decepcionadas... A mesa começou a ser evitada, e tive que ir para outra...
O álbum que Clara comprou afasta crianças.
Uma das novidades era o aplicativo, pelo menos metade das pessoas que trocavam, atualizavam seu montante pelo celular. Realmente o app foi uma mão na roda.
Uma hora, ao contar as minhas figurinhas, um pai com uma menina passou ao lado e comentou com ela:
- Olha filha... quando papai era criança colecionava as figurinhas assim... - disse numa vontade enorme que a garota se animasse a colecionar. Não alcançou sucesso nesta investida, mas duvido muito que tenha desistido.
Nesse aspecto, é interessante ver que muitos pais acompanham os filhos nesse hobby. Por um lado, é um resgate nostálgico para quarentões, tentando fazer os guris de hoje em dia saíam um pouco do virtual com um passatempo de "raiz". Mas é claro que uma boa parcela dos tiozões só esta "usando"os moleques como desculpa para colecionar... 
De qualquer forma, fui com 80 repetidas e voltei com apenas três. Foi extremamente divertido, confesso. 
Ao chegar perto de casa, eu e Clara encontramos um guri, de uns 7 anos, com um bolo de figurinhas, todo faceiro. Clara puxou assunto com ele, que ainda tímido mostrava orgulhoso seu montante. Eu, com apenas 3 figurinhas, troquei uma com ele. Me deu uma, Samuel Eto'o, meio amassada e eu repassei as que eu tinha. Saiu todo feliz com as figurinhas na mão. Ao chegar em casa, fiz questão de colar a que troquei com o guri, mesmo tendo a mesma novinha que trocara antes. Sempre que ver esse cromo no álbum, me lembrarei da incrível nostalgia de voltar aos meus 10 anos, quando a diversão era ter uma figurinha carimbada, num livro amassado guardado como o maior dos tesouros. 

PS: Domingo que vem, repetirei a dose e ficarei um tanto triste ao completar a coleção.